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Hack na Coldcard: Como checar e salvar seus BTC com segurança

Fala, pessoal! A maioria da galera no universo cripto jura de pé junto que hardware wallet é um cofre inexpugnável. Pois é, só que não. Há dois dias, quando bati o olho no primeiro relatório sobre drenagem de saldos em "cold wallets", gelou até a minha alma.

A Coldcard da Coinkite era simplesmente o padrão-ouro sagrado para qualquer bitcoin maximalista. E ver uma pisada de bola desse tamanho... é de cair o queixo.

Mas beleza, não adianta chorar sobre o leite derramado. Se você guarda seus Satoshis numa Coldcard, presta MUITA atenção no que vem a seguir. Vou desenhar tudo tintim por tintim: desde a falha criptográfica na raiz do problema até o passo a passo de emergência pra salvar suas moedas do fogo cruzado agora mesmo.

⚠️ ALERTA DE EMERGÊNCIA
Se você gerou sua seed phrase diretamente no dispositivo Coldcard entre março de 2021 e julho de 2026, SEUS FUNDOS ESTÃO EM RISCO EXTREMO E IMINENTE.
Tem hackers varrendo a blockchain de cabo a rabo com bots automatizados neste exato segundo. Corre pro final do post, lê as instruções e evacua seus ativos imediatamente!

1. O que rolou? O resumo da ópera do desastre

Pra encurtar a história: o Gerador de Números Aleatórios (RNG) em vários firmwares da Coldcard estava gerando qualquer coisa, menos entropia verdadeiramente aleatória. O resultado? Os hackers conseguiram recriar as chaves privadas via matemática pura e ligaram o trator.

O ataque está vindo em ondas. E pela minha experiência de estrada: essa terceira onda com certeza não vai ser a última enquanto houver um Satoshi dando bobeira nesses endereços vulneráveis.

Cronologia e tamanho do prejuízo

Ondas de AtaqueData de InícioEndereços Atingidos (Aumento)BTC Drenados (na onda)Total de BTC RoubadosEquivalente em USD (Est.)
1ª Onda30 de Julho de 2026~1.196~1.082,65 BTC1.082,65 BTC~$67,1M
2ª Onda31 de Julho de 2026+1.477 (total 2.673)+76,16 BTC1.158,81 BTC~$71,8M
3ª Onda02 de Agosto (agora)+1.912 (total 4.585)+207,73 BTC1.366,54 BTC~$84,7M

Dá até um aperto no coração ver esses números. Quase 85 milhões de dólares evaporaram simplesmente porque um flag no compilador do firmware resolveu não funcionar.

2. Quem está na reta?

Foco aqui! Não são todos os usuários de Coldcard que estão no sal.

Modelos e versões na mira:

  • Coldcard Mk3: Firmwares da versão v4.1.2 até a v5.2.1.
  • Coldcard Mk4: Firmwares da versão v5.0.0 até a v5.2.1.
  • Coldcard Q (incluindo Q1): Todas as compilações antigas até o patch de emergência de julho de 2026.

Mas o X da questão nem é tanto o modelo, e sim como a sua chave privada foi gerada.

Vulneráveis:

  • Quem tirou a Coldcard novinha da caixa, mandou ver no botão "Create New Seed", aceitou a entropia padrão do sistema e anotou as 12 ou 24 palavras.

Seguros (relativamente):

  • Quem gerou a seed usando Dice Rolls (rolagem de dados físicos) direto no aparelho. Esse é O método definitivo que eu canso de pregar pros meus engenheiros! A física dos dados anula completamente o bug no gerador de software.
  • Quem importou uma seed pronta, gerada em outro ambiente offline seguro (tipo rodando Tails + Electrum ou uma ferramenta dedicada num Raspberry Pi).

3. Como checar se a sua carteira foi comprometida

Calma lá, sem pânico. Pega o seu hardware na mão e faz esse checklist rápido.

Passo 1: Checar o firmware e a data

Conecte o dispositivo na energia (de preferência usando um cabo "power only") e digite seu PIN.

Navegue até: Advanced -> System Information -> Version.

Dá uma olhada na versão. Se você está, por exemplo, na v5.1.0 da Mk4 e criou essa seed ali entre 2022 e 2024, a casa caiu: você está na mira dos caras.

Passo 2: Cruzar os endereços

O pessoal da Galaxy Research mandou bem demais, soltou um relatório ultra detalhado e liberou a lista pública dos caminhos de derivação comprometidos.

Você pode validar suas chaves públicas (xpub / zpub) usando um script open-source oficial no repositório do GitHub da Coinkite.

⚠️ Regra de ouro da segurança: NUNCA, em hipótese alguma, digite suas 12/24 palavras em qualquer site para "verificação"! Validação se faz EXCLUSIVAMENTE via chave pública (xpub) ou endereços BTC individuais. Se algum site pedir sua seed phrase, é 100% golpe, são golpistas tentando raspar o que sobrou.

4. Passo a passo: Como resgatar seus fundos com segurança

Caramba, preciso bater nessa tecla mais uma vez.

SÓ ATUALIZAR O FIRMWARE NÃO VAI RESOLVER!

O firmware novo corrige o gerador daqui pra frente, mas a sua seed phrase atual JÁ É matematicamente previsível pros bots de exploit. O seu único caminho é mover todo o seu BTC imediatamente para um endereço 100% NOVO.

Passo 1: Atualizar o Firmware (Patch de segurança)

  • Baixe a versão mais recente do firmware (no mínimo v5.3.0X para Mk4/Q) diretamente do portal oficial coinkite.com/downloads.
  • Valide a assinatura PGP do arquivo sem falta! (Tem o guia completo no blog da Coinkite).
  • Jogue o arquivo .dfu ou .bin no MicroSD, espete na Coldcard e rode Advanced -> Upgrade Firmware.

Passo 2: Gerar uma NOVA Seed (APENAS via Dice Roll!)

Não confie cegamente em gerador automático de novo, mesmo corrigido. Faça do jeito profissional:

  • Selecione New Seed Words -> 24 Words.
  • Aperte a tecla 4 (isso abre a interface de entrada de rolagem de dados).
  • Pega um dado físico comum e faça pelo menos 100 lançamentos (no mínimo 50, vai!). Insira cada número que sair com bastante atenção. Isso garante uma entropia estocástica de verdade.
  • Anote as 24 novas palavras no papel ou grave numa placa de metal. Se perder isso aqui, nem o Papa salva.

Passo 3: Mover os fundos (Transação de Resgate)

Agora você precisa tirar seus Satoshis da seed antiga (vulnerável) e mandar pro endereço novinho em folha criado no Passo 2.

É aqui que o bicho pega e começa a corrida contra o tempo. Os bots maliciosos estão monitorando a mempool 24/7. Se você enviar a transação com uma taxa baixa, ela vai ficar parada na fila — e um bot pode passar a sua perna usando RBF (Replace-By-Fee) pra roubar suas moedas.

Passo 4: Cálculo da taxa e estratégia de RBF

Não seja pão-duro com a taxa de rede agora. Abra o mempool.space, veja a taxa de High Priority do momento e multiplica por 1.5 ou 2. Essa transação PRECISA entrar no PRÓXIMO bloco a qualquer custo!

5. Análise Técnica: Como diabos aconteceu esse hack?

PQP, como especialista em segurança, eu ainda fico em choque de ver o quão ridícula foi essa vulnerabilidade. É o exemplo clássico de como uma única linha de código errada ou um `#define` esquecido em C/MicroPython pode derrubar um ecossistema que vale dezenas de bilhões de dólares.

Vamos abrir o capô e analisar a anatomia criptográfica desse cagada monumental.

A raiz do bug: Para onde foi a entropia?

O sistema operacional da Coldcard roda em cima de uma versão customizada do MicroPython. Em condições normais, quando o dispositivo gera uma nova seed phrase (BIP-39), ele deveria puxar aleatoriedade pura (TRNG - True Random Number Generator) diretamente de dois chips de segurança independentes (Secure Elements), além do gerador interno do microcontrolador STM32.

Só que em março de 2021, durante uma refatoração no código-fonte e atualização da biblioteca base do MicroPython, os devs sobrescreveram sem querer a inicialização do gerador via hardware. No arquivo de configuração do build, uma flag foi resetada ou redefinida bizarramente:

#define MICROPY_HW_ENABLE_RNG (0) // Atenção: era para ser (1)!

O que aconteceu depois?

Quando o usuário clicava em "Gerar Nova Carteira", o firmware tentava solicitar a entropia do sistema.

Por causa da flag zerada, o driver de hardware do TRNG simplesmente não inicializava como deveria.

O sistema não estourava nenhum erro (porque os mecanismos de fallback interceptavam a chamada), mas começava a coletar amostras de um gerador pseudoaleatório (PRNG) inicializado com uma seed fixa ou extremamente previsível — tipo o timer do sistema em milissegundos ou o valor constante de um registrador logo após o boot!

Traduzindo para o bom português: Em vez de extrair 256 bits de caos puro a partir do ruído físico do chip, a carteira gerava "aleatoriedade" dentro de uma sequência onde a variação era de meros 216 a 232 estados possíveis.

Para um leigo, 232 combinações parece um número gigantesco (cerca de 4,2 bilhões). Mas para uma GPU moderna ou uma rig dedicada a cracking, isso é trabalho para 15 segundos!

Como os hackers recriaram as chaves?

Os caras nem precisaram violar ou hackear os dispositivos fisicamente.

Eles simplesmente analisaram os intervalos de timestamps e as versões de firmware, montaram o algoritmo de predição de estado do PRNG e geraram todas as combinações possíveis de 12/24 palavras que a versão vulnerável da Coldcard PODERIA MATEMATICAMENTE ter cuspido.

A partir daí, foi mamão com açúcar:

  • Os hackers geraram uma tabela de endereços públicos para todas as seed phrases previstas (caminhos de derivação m/84'/0'/0'/0/x para Native SegWit e m/86'/0'/0'/0/x para Taproot).
  • Soltaram bots para varrer todo o histórico da blockchain do Bitcoin (o UTXO set).
  • Assim que um endereço batia com saldo real, o script automatizado derivava a chave privada e rapava a carteira na hora.

É exatamente por isso que o ataque acontece em ondas. Na primeira onda, limparam os intervalos de geração mais óbvios. Na segunda e terceira ondas, os hackers expandiram o bruteforce para desvios de horário menos prováveis e caminhos de derivação adicionais (como estruturas multisig e contas fora do padrão).

Pessoal, a maior lição dessa história é: nunca confie 100% em uma única fonte de entropia, mesmo que seja uma hardware wallet famosa e aclamada no mercado.

Gravem bem a regra dos dois "NÃO":

  • NÃO use geração automática de chaves sem adicionar entropia manual (jogar dados / Dice Roll é o seu melhor amigo).
  • NÃO adie as atualizações de firmware, mas ANTES de atualizar, SEMPRE verifique as assinaturas PGP das releases.

Protejam seus satoshis, chequem os endereços e evacuem os fundos agora mesmo se vocês estiverem na zona de risco.


FAQ

Sim, mas com um enorme "porém". Se você usou uma passphrase forte, longa e realmente aleatória, sua master key final é matematicamente deslocada via PBKDF2 (HMAC-SHA512). O hacker teria que dar brute force não apenas na seed comprometida, mas também na sua frase secreta. Mas sejamos realistas: se a sua passphrase for só o nome do seu cachorro ou seu ano de nascimento, com as 24 palavras base vazadas, o atacante vai quebrar essa senha em dois minutos. Agora, se você tem 20+ caracteres aleatórios lá, seus fundos estão relativamente seguros por enquanto — mas eu AINDA ASSIM recomendo fortemente migrar para uma seed 100% limpa.

Sim, o hardware em si (os chips de Secure Element ATECC608A / DS28E38) não foi hackeado. A proteção física contra leitura de memória, os sensores do case e os mecanismos anti-tamper estão funcionando perfeitamente. O problema foi exclusivamente no software (firmware). Depois de atualizar para a versão corrigida e gerar uma nova seed via Dice Rolls (dados), seu Coldcard volta a ser um búnker impenetrável.

A posição oficial da Coinkite no momento se resume a admitir o bug no código e lançar updates de emergência. Considerando a escala do estrago (quase US$ 85 milhões), é muito pouco provável que a empresa canadense tenha essas reservas em caixa para cobrir o prejuízo dos usuários, a menos que acionem fundos de seguro. No X oficial e no blog deles há avisos pendurados, mas juridicamente — conforme o disclaimer das licenças open-source (GPL/BSD) —, a responsabilidade pela guarda das chaves é 100% do usuário. É a realidade cruel do self-custody: Not your keys, not your coins; mas também — bad code, lost coins.
Oleg Filatov

As the Chief Technology Officer at EXMON Exchange, I focus on building secure, scalable crypto infrastructure and developing systems that protect user assets and privacy.

With over 15 years in cybersecurity, blockchain, and DevOps, I specialize in smart contract analysis, threat modeling, and secure system architecture.

At EXMON Academy, I share practical insights from real-world...

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